terça-feira, julho 29, 2008

Lanho-te

Quelimane, 28 de Julho de 2008
Li a tua carta, senti que estás muito ferido.
Creio que puseste muita ênfase na falsidade, na minha busca de conveniência social. Talvez tenhas razão. Mas não toda. E, talvez, nem sequer a principal razão.
Sabes, Mando, escrevi o que escrevi, mas quantas vezes na vida não pegamos na pele das coisas e a tomamos ou a sugerimos como se fosse a carne, a substância?
Sinto-me dividida: uma parte de mim é completamente tua, defintivamente tua, a outra é produto de toda esta situação ambígua que vivemos. Quando a primeira avança, a segunda resiste. E a minha vida é como este terrível pêndulo, este oscilar sem fim, esta luta diária entre sonho e realidade, entre manhã e fim de dia, entre o que quero e o que me impõem. Achas isso errado? Sou dona do meu destino? Fui eu quem inventou as regras, os deveres, o peso social dos outros e da crítica, as estradas dos picos e das agruras e dos medos?
Sim, sou frágil, temo muitas coisas. Sou culpada de assim ser?
Sabes, Mando, vamos deixar para o nosso próximo encontro a procura da chave do nosso futuro. Aceitas?
Olha, Agora vou beber água de lanho, neste fim de tarde lindo. Prova um pouco comigo...Estou fresca, tomei um banho maravilhoso...
Lanho-te...
Ilser

1 Comments:

Blogger Lisa said...

Esta é uma das cartas que eu não irei competir com Ilser..
Acho que o final tem que ficar como está, um pouco breve ao meu gosto mas ficará como o autor desejou que ficasse.

Lanho-te :-) Gostei desta palavra.

Lisa

terça-feira, julho 29, 2008 6:49:00 da tarde  

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