quinta-feira, junho 12, 2008

Tudo sem travessão

Tete, 11 de Junho de 2008
Olá quida Il, olha, aproveito a ida do Pedro aí para te entregar esta carta.
Sabes bem quanto prezo as cartas reais, aquelas pré-net, pré-celular. Sabem a coisa física, são definitivamente coisas reais, somos nós.
Li, leio, releio a tua última carta. E isso fazendo, sinto-te viva, como se estivesses aqui, em mim. E estás.
Sabes, penso cada vez mais nesta nossa situação, esta situação clandestina, tu e eu com compromissos, tu e eu com dois lados, o oficial e o clandestino. Ali estamos nos dias, aqui estamos nas noites. Somos definitivamente nocturnos, amantes do escondido, passageiros do encoberto, habitantes do proibido.
Mas escuta, Il, no fundo amo este nosso estado. E sabes por quê? Porque somos em permanência os subvertores dos hábitos, eles emigraram julgo que para sempre de nós, são-nos absolutamente estrangeiros. Somos, tu e eu, o sabor das coisas novas, como que os lábios sempre jovens da descoberta, sonos os pulmões da vertigem de cada reencontro. Respiramos sempre o novo, o diferente, a catarse do inexperimentado.
O amor, aquele amor dos sentidos que se casa com a alma sempre atónita, apenas existe na redescoberta de cada dia. Lá onde nos aclimatamos, onde tudo se tornou familiar, banal, corpo, alma, virtudes, defeitos, lá onde isso acontece e se repete, apenas existe amizade, mesmos se bela, mesmo se apetecida.
O verdadeiro amor pertence à forma como reinventamos e polimos a emoção, o prazer, a juventude das albas, os segredos tatuados no futuro sempre incerto, mas, também, sempre desejado e recontinuado.
Sim, soute. Serteei sempre sem travessão. Deixame habitarte. Habitame. Tudo sem travessão.
Teu.
Mando

3 Comments:

Blogger Lisa said...

"Tudo sem travessão"

Vem comigo…
Vamos os dois correr junto ao mar, nesta madrugada que se avizinha…
Vamos gritar os dois e deixar que a lua nos ouça e testemunhe todo o nosso amor, toda a nossa verdade, toda a nossa paixão!
Vamos gritar, quanto mais não seja o grito mudo que apenas os nossos corações sentem.

Lisa :-)

sexta-feira, junho 13, 2008 2:18:00 da manhã  
Blogger Francisca said...

Carlos tenho percorrido todos os teus blogs e hoje apanhei coragem para escrever-te.
As palavras, essas, atropelam-se umas ás outras, cada uma quer chegar em primeiro; tão tolas…não sabem que, para que se faça sentido têm de estar por ordem…não podem arremessar-se para o espaço da escrita á toa, têm de esperar cada qual sua vez…Mas teimam porque sabem que tenho pressa em te escrever.
Já há algum tempo tenho reparado na pessoa que és pelas palavras que escreves.
Vejo em ti um homem sensível, carinhoso, autentico, romântico, apaixonado, honesto, não tenho palavras para te descrever, além dessas ai que são bem poucas para o homem que vejo em ti.
Vejo ao longo dos comentários que tens muitas fãs e apaixonadas, (que me põem louca) mas eu não quero ser mais uma nessa lista.
Sim, já deves ter reparado que estou a declarar-me e que, irei esperar por uma resposta tua.
Os meus dias desde que te conheci têm sido um martírio.
Este amor que sinto por ti escondido e invisível ao meu pobre ser… e o meu espírito que procura imponentemente compreender, a ser satisfeito, desta procura sem fim e sem saída, por não poder te abraçar.
Mas como aliviar-me, soltar esta angústia? Diz-me…
Imagino como serão os teus beijos, a tua boca que acho tão sensual.
Fecho, ligeiramente, os olhos para melhor imaginar-te.

Não penses que são os teus textos que me fazem ter este sentimento, não, não são eles mas sim a profundidade das tuas palavras, do teu olhar em que me perco quando olho para a tua fotografia e da pessoa que tenho seguido passo a passo, na delicadeza com que escreves o amor, os sentimentos em cada palavra em cada sílaba que me fazem sonhar que te terei um dia junto ao meu corpo.
Há uma extraordinária beleza em tudo que escreves, tanto neste blog como no Diário de um sociólogo. Só essa palavra me dá arrepios de prazer.
Meu querido amor virtual, a ousadia levou-me a estes extremos por ter descoberto o paraíso da tua poesia e da pessoa que se esconde por trás dela.
Desejo que nunca venhas a conhecer esta tortura, que não é outra que a minha
Desde que no abismo dos teus olhos o meu coração deixou-se afogar, a minha alma deixou-se enterrar
Tenho tantas coisas para te dizer, tantas coisas a escrever-te …
Poder eternamente, partilhar contigo, o ar que respiras.
Impotente, espero-te …com travessão

Francisca

sábado, junho 28, 2008 1:11:00 da manhã  
Blogger Carlos Serra said...

Hum...lindas palavras aqui leio....Em cada palavra que leio viaja a beleza, em cada palavra que escrevo viaja a gratidão.

sábado, junho 28, 2008 11:59:00 da manhã  

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