domingo, junho 01, 2008

Redesejo-te

Tete, 30 de Maio de 2008
Quida Il
Uma vez mais aqui estamos, ao mesmo tempo separados pelos corpos e ligados pelas palavras. É aquele destino escrito no meu Zambeze: vai e vem, inexorável. Estamos um tempo nas margens, regressamos depois à água. Somos isso, essa tensão, esse eclipse das coisas normais na normalidade de sermos sempre isso.
Por decisão do destino, estivemos juntos, demoradamente, pela primeira vez, não num daqueles quartos que alugamos aqui e acolá, mas num quarto de hotel.
Não gosto de quartos de hotéis: são impessoais, pertencem sempre aos outros, são estradas dos outros, cheiram ao desconhecido dos outros.
Mas, enfim – deixa dizer as coisas banalmente -, o fundamental não é o quarto, mas a alma que o habita, não achas?
Guardo, uma vez mais, o eco do teu corpo, alimento-me daquele teu espanto enxertado nesse corpo quando andas, quando te mexes, sorvo aquela leveza irredutível que te habita em permanência quando pela alma acaricias, encosto-me à saudade sabendo que nova saudade me e nos espera.
Quem somos? Estrangeiros à rotina, habitantes do secreto, arqueólogos do proibido, nutrientes da vertigem, empregados de madrugadas que mais ninguém conhece salvo tu e eu.
E assim vamos construindo este nosso futuro, dia após dia, noite após noite, ora alegres, ora tristes, eternos pêndulos de um amor interdito que pede à vida - fatal, belo, inesgotável destino - o direito à existência escondida.
Somos a angústia na proa da crença, o futuro na almadia trémula de cada dia.
Mas não tenho qualquer dúvida de que por isso mesmo, por tudo isso, este nosso amor apenas tem um sentido: o da frente, o dos novos dias, o do eterno.
Redesejo-te.
Teu.
Mando

3 Comments:

Blogger intimidades said...

ha muito que nao escrevo uma carta, agora e tudo rapido em mensagens curtas e abreviadas, ja muito poucas pessoas se sentam para escrever a alguem

Jokas

Paula

segunda-feira, junho 02, 2008 10:56:00 da tarde  
Blogger Lisa said...

Só a palavra Redesejo-te dá vontade de escrever uma carta de amor.Quem sabe um dia eu não meta aqui uma que está no meu "baú" procurando um destinatário!
Um dia irei competir com Mando e Ilser e a culpa será desta musica que oiço. :)
Lisa

segunda-feira, junho 02, 2008 11:50:00 da tarde  
Blogger Lisa said...

Relembro-me

Sem aurora nem crepúsculo, sem luz nem obscuridade, no meio desta noite definitiva abandonaste-me. Sem palavras, sem frases, a garganta presa, a palavra silenciosa, a lágrima sempre presente, ouço a tua voz todas as noites mas não é para mim que fala. Só, a minha memória recorda-se do amor casulo no qual fizeste crescer em mim.

Os meus pensamentos cruzam a tua lembrança, ando sozinha sobre o caminho abandonado e inalo a tua ausência permanente e definitiva. Não existe remédio a este tipo de prova, não há nada que possa fazer calar a tua ausência. Os meus olhos procuram-te sem poder encontrar-te. Envio-te mensagens, portadores de sonhos, fabricantes de milagres, mas, em pérola de bruma evaporaste cúmplice da noite, fazes a tua reverência, a cortina baixa-se, é o fim da história.

E embora eu Relembro, o testemunho das tuas lembranças, das tuas lições, das tuas alegrias, dos teus sofrimentos …. Nunca irei esquecer …. Permanece uma data, uma dia…

Tua

Lisa

quinta-feira, junho 05, 2008 10:39:00 da tarde  

Enviar um comentário

<< Home