domingo, junho 08, 2008

Na fluidez da dúvida, sou a certeza do amanhã

Quelimane, 3 de Junho de 2008
Sabes, quido, sou uma vírgula, sinto-me uma vírgula, sinto-me tactilmente a tensão entre o presente que somos e o futuro que ansiamos. Como se borboleta criada pelo destino, como se pêndulo (amas dizer isso) inexorável, como se relógio que ao mesmo tempo andassse para a frente e para trás, corro do presente para o futuro, para logo de seguida regressar ao primeiro com a saudade do segundo que anseio.
No nosso último quarto, o 705, senti isso de forma aguda: nos teus braços eu costurava o futuro, nos teus lábios eu sentia o presente, na posse mútua eu sentia-me a diagonal, doce, angustiante, bela, amiga, tensa, amargurada.
Sou um repositório de sensações, sou filha da dúvida, sou herdeira das diagonais por realizar. Mas sou, mor, sou-te, soute finalmente sem travessão, em cada gesto soute, em cada gesto me futuro, em cada gesto me pulso dual e una.
Eu sei que este amor é isso, Mando. Eu sei que este amor é uma pergunta cuja resposta tecemos dia após dia, em cada madrugada na qual colamos o princípio da noite ao princípio do dia.
Amo-te reamando-te, sou-te resendo-te. Tira os travessões.
Tua agora, tua sempre, tua para sempre, tua dual. Na fluidez da dúvida, sou a certeza do amanhã.
Mor: soute sem travessão.
Ilser

4 Comments:

Blogger Lisa said...

Uma duvida:
Ilser e Manto são personagens reais ou fictícias? E todas estas cartas de amor são verdadeiras ou imaginárias?
Bom neste caso já são duas duvidas:)

terça-feira, junho 10, 2008 3:12:00 da manhã  
Blogger Lisa said...

upsss erro..queria escrever Mando

terça-feira, junho 10, 2008 3:13:00 da manhã  
Blogger Carlos Serra said...

Só eles sabem...

terça-feira, junho 10, 2008 1:08:00 da tarde  
Blogger Lisa said...

hummm...Ok

:)Lisa

quarta-feira, junho 11, 2008 2:54:00 da manhã  

Enviar um comentário

<< Home