sábado, junho 28, 2008

Cada ti de mim

Quelimane, 26 de Junho de 2008

Meu Mando, Meu Destino

Olá quido, aqui me tens nesta linha manhã feita de repetição.
Hoje fui ao bazar, sabes? Amo os bazares. Sempre me pergunto por quê, mas invariavelmente a resposta não me chega pelo pensamento, mas pelo coração. Amo porque amo. Sabes, amo os cheiros, amo a vida que desce, ruidosa e ecléctica, das vendedeiras, do que vendem, de tudo o que vejo e não vejo, de tudo o que cheiro, meço, avalio, intuo, pego, calculo, prevejo, quero. Acho que renasço de cada vez que vou ao bazar.
Claro que saída do bazar reencontro o igual em cada canto, bem sabes quanto abomino as coisas sempre iguais e repetidas.
E sabes, depois fui nadar, outro prazer. Senti o corpo amar a água, senti sentindo-me. A água fascina-me, sabe-lo. Deixo em cada gota que intuo o beijo da gratidão.
E aqui estou, agora em casa. Sabes o que faço? O que já não fazia há muito tempo: costuro. Costuro a vida, costuro-te. Costuro a saudade, costuro os momentos que sempre vivemos e que sempre, também, temos de interromper. Acho que os nossos reais momentos são os que ficam irremediavelmente adiados para um daqueles nossos intermináveis reencontros. Somos o futuro no útero do presente. É doce, é novo, é diferente, mas dói.
E costurando, costurando os novos momentos que tornaremos a viver, interrogo os nossos corpos, quentes e tácteis, buscando-se, tocando-se, penetrando-se no preciso momento em que já sentem a saudade de novos momentos. Somos corpos cíclicos, sabias?
E pensando nisso, afogo-ne na tristeza, na ansiedade. Em cada reencontro habita, inexorável, o destino do fugaz e do inacabado, a sombra de um dia terminado, a saudade percutida mal nos reencontramos. Acho que nós, mulheres, queremos o estável no campo afectivo, algo que tenha a consistência da durabilidade, algo que dure, que fique. Sou útero, não é?
Uma novidade para ti, meu quido transgressor: tenho internet em casa e comprei uma webcam...Diz-me algo, está bem?
E por aqui fico hoje, amando-te em cada chegada e em cada partida, cada parte de ti, cada ti de mim.
Amo-te mais do que ontem e bem menos do que amanhã.
Tua.
Ilser

5 Comments:

Blogger Francisca said...

(Hum...lindas palavras aqui leio....Em cada palavra que leio viaja a beleza, em cada palavra que escrevo viaja a gratidão.)

Carlos meu amor

Palavras bonitas dizes tu!...são as minhas emoções, meus sentimentos,
são pedacinho de mim!
Talvez elas não sejam as mais adequadas para expressar o que o meu coração sente por ti.
As vezes, tenho medo de as escrever.
As vezes quando o meu coração quer falar, as palavras ficam presas e torna-se impossível descrevê-las. Hoje escrevo-te palavras simples, palavras ditadas pela voz da minha alma.
Escrevo-te palavras, para aliviar um pouco este coração que grita com saudade
da tua ausência e que faz os meus pensamentos voarem por caminhos de angústia e de muita saudade.
Não tenho outra solução, fico aqui quietinha a tua espera, e escrevo, escrevo. Penso…penso…e
Mil imagens aparecem diante dos meus olhos, tu e eu juntos.
Imagens que se aconchegaram no meu coração e deixaram-se lá ficar.
E quando as imagens trazem até mim o eco das tuas palavras doces, toda a minha tristeza vira sorriso... as minhas lágrimas viram saudade... a minha dor, essa, vira amor.
As vezes peço á minha imaginação que me leve até ti, na magia de estar contigo, em algum lugar que essa imaginação não para de inventar.
Peço que me traga o som de tua voz que ainda não conheço, a doce carícia de tuas mãos que ainda não senti e do teu doce olhar que eu vejo todos dias aqui no teu blogue.
Hoje estou aqui porque a minha imaginação levou-me até ti.
Porque mais uma vez as tuas palavras fizeram eco no meu coração.
E sem saber como ou porquê, fui feita prisioneira da tua alma.
Talvez porque nela sento magia, carinho e muita doçura...
Hoje mando-te um Beijo soprado da minha alma.
Hoje Carlos Amo-te mais do que ontem.

Francisca

domingo, junho 29, 2008 12:17:00 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Meu amor
Não vou esperar até sábado para te escrever mais uma carta.
Tenho tanto para te dizer meu amor, tanto para te contar que não aguento esperar mais um dia.
Sabes amor,
gostava que as minhas palavras fossem dedos que se enlaçam entre as tuas mãos.
Gostava... Gostava que escrever-te fosse como sentir o que já senti e o que nunca senti. As palavras são apenas voos rasos entre recordações que ainda não tivemos. O que sinto não se faz em palavras, não se desenha em telas, não se toca nas melodias do pensamento fugitivo.
Gostava. Gostava que o tempo fosse carícia que me aquieta sempre que ao longo da pele dos dias quando não te encontro nos meus olhos. A alma pede. A alma evita. A alma fica. As palavras travam. A voz silencia.
Gostava. Gostava de poder sentir-te nestes abraços intensos de divagações que o coração me empresta de ti. O coração... aquele que me aperta o peito e me desfaz a razão em pulsações descontinuadas.
Gostava de parar. Gostava de sentir o vazio da vida e preencher-me apenas de ti.
Gostava... gostava de olhar para ti e dar-te em silêncio todo o Amor que fervilha dentro de mim...
É.
Gostava...
E tu meu amor o que gostavas?
Sempre tua
Francisca

segunda-feira, junho 30, 2008 1:49:00 da tarde  
Blogger Sara said...

Ai Carlos Carlos, essas cartas incendeiam corações!

segunda-feira, junho 30, 2008 3:15:00 da tarde  
Blogger Francisca said...

Carlos meu amor

Este fogo que me invade a alma e o corpo, deixa-me tonta, eu não preciso de web cam meu amor e sabes porquê? porque vejo-te aqui, junto a mim, olhas-me, e não precisamos falar, os olhos falam e amam, as mãos sobem e avançam por entre os corpos, sulcando cada pedacinho de pele, a tua boca leva-me à loucura demente dos sentidos aflorados, no momento em que um arrepio imenso me entra pelo corpo, e me faz abraçar-te querendo-te dentro de mim, sentes a pele queimar ao toque das minhas mãos, ao toque das minhas pernas que te envolvem e te empurram para mim, as bocas rompem o silêncio numa troca de sussurros loucos, o céu aproxima-se para ver, as estrelas cobrem-nos com o seu brilho e lua esconde-se, respeitando o momento mágico, as nossas mãos entrelaçadas deixam fluir o Amor que nos une...

Pronto já te disse meu amor meu tudo.
Francisca

segunda-feira, junho 30, 2008 11:42:00 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Carlos meu amor

Há treze tempos atrás, chovia. A Lua prometia o brilho no céu, que as nuvens insistiam em esconder.
Fechei a janela das conversas, corri as cortinas sem rosto e parti, rumo à face da melodia desconhecida. Dei um passo á frente do chão que pisei de olhos vendados, fui de encontro ao encanto da loucura que se dizia existir para lá de mim. Para lá da tela desenhada em traços e códigos, foi uma porta que se abriu, um silêncio que pairou, uma espera que perdura vezes sem conta.
Fugi em Janeiro de impulsos, corri á frente de tremores disfarçados, inventei a serenidade dentro de mim e recebi nas minhas mãos, o beijo revelador da força de um desejo antes criado. Foi o abraço que guardou o olhar, no convite que o corpo rendeu ao arrepio na pele.
Quinhentas e treze estrelas contadas a preceito na sintonia das dobras do lençol que nos cobriu, e nos descobriu a nu. Intenso lembrar, secreta história sem história para contar lá fora.
Nove céus crescentemente pintados de doces beijos, entregas, momentos e esperas de saudade, constelações de Paixão, Magia e encanto.
Lembro, relembro, recordo e espero a próxima vez...a primeira, depois da sede que me deixas sempre que fazemos Amor!

Hoje mando-te um Beijo soprado da minha alma.

Francisca

PS: Quando é que irás escrever uma carta de amor? Tenho estado á espera desde ontem.

domingo, julho 06, 2008 11:52:00 da tarde  

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