terça-feira, março 04, 2008

Meu Mando, meu Milho

Quelimane, 2 de Março de 2008
Meu Mando, meu Milho
Aqui me tens, contando os dias do nosso próximo encontro, sempre com aquela ansiedade táctil e febril que me conheces. Acho que a ansiedade foi inventada para estar contigo mesmo quando não estou e sobretudo quando não estou estando.
Sabes, ontem fui à piscina. Nadei vezes sem conta, acho que a água deixou de ser água para passar a ser eu, eu nadava em mim, eu nadava para ti, em direcção a ti, sentia o corpo tenso, mas ao mesmo tenso sentia-o sereno, como se tu o preenchesses, como se tu habitasses cada um dos movimentos até ti.
Sabes que amo nadar? Acho que nadar nos foi dado por Deus para que a água nos faça oferta permanente da recordação da placenta de cada um de nós.
Depois, depois fui à pastelaria local comer dois pasteis de nata. Saborosos, quentinhos, era ao fim de tarde.
E depois caminhei lentamente para casa, nesta pacata cidade onde apenas a pacatez tem vida. E caminhando, tatuei o nosso encontro em cada um dos cocos das palmeiras anãs que me fazem companhia todos os dias. Sabes que os cocos são o prenúncio da alegria na minha alma? Sabes que o seu líquido é amor? Se não sabes ficas a saber.
E agora deixa-me deitar-me um pouco. Vem a mim. Agora. Espero-te.
Amo-te mais do que ontem e bem menos do que amanhã.
Tua, sempre.
Ilser