terça-feira, janeiro 01, 2008

Meu Mando, minha ausência

Quelimane, 1 de Janeiro de 2008

Meu Mando
Consegui que um portador, o gentil Sitoe, levasse esta carta para ti, a primeira deste ano, no avião que daqui partiu. Espero que ela te chegue, é forçoso que ela te chegue, ela te chegará.
Li a tua última carta e guardo na alma ainda o sabor das palavras que trocámos por celular estes dias todos.
Mas dói-me profundamente toda esta espessa, dolorosa ausência.
Caminho em mim caminhando em ti no preciso momento em que descubro, atónita, que caminho aqui sem ti caminhando no sonho de ti.
Sou a dor da ausência, a súplica da impotência, o trilho de um vazio.
Sei, sabes, sabemos ambos que somos a realidade inexorável do segredo, que cada um dos nossos gestos está agrilhoado pelo furtivo fatal dos amantes proibidos.
Se isso é belo, se isso é a permanência do novo e da surpresa e da reinvenção da vida, não é menos doloroso porque estamos ambos privados da plenitude do que queremos, do que ansiamos a cada momento.
Em cada um dos nossos anseios está plantado o sinal do proibido. Por isso exulto e sofro ao mesmo tempo.
Diz-me, meu Mando, quando nos reencontraremos de novo, neste novo ano, nesta nova busca.
Amo-te mais do que ontem e bem menos do que amanhã. Sabe-lo.
Tua, sempre.
Ilser

2 Comments:

Blogger isabel victor said...

Fantasiando ...

o melhor que a vida tem.

Viva 2008 !!! Votos de felicidades para todos os que amam (e acreditam)


Atlantica.mente presente

iv*

terça-feira, janeiro 01, 2008 6:35:00 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Quem disse que " a mulher é poesia e o homem prosa"?

A mais bela carta de amor que vi escrita neste lugar...

Mas o amor tem destas coisas:ausências vividas e sofridas, reencontros...paixão!

Que o amanhã nos traga de mansinho a luz de novos sóis para colorir os nossos dias.

terça-feira, janeiro 01, 2008 7:25:00 da tarde  

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