sábado, dezembro 01, 2007

Para Ilser

Tete, 29 de Novembro de 2007
Um dia ouvi esta história, que tem o condão de ser fantástica por ser banal.
Foi assim: por terras dos mares, de algum mar, de algum dia que os anais ameijoais não registaram, duas amêijoas amavam-se na areia, naqueles momentos em que o mar reflui e deixa às coisas quentes da vida a possibilidade de a fertilizarem. Quando a amêijoa homem beijava a amêijoa mulher, chamava-se ele Mando e ela Ilser, acontece que a concha de Ilser se fechou subitamente. Tão rápido e espantoso acto magoou os lábios de Mando. E ontem, hoje, certamente amanhã, Mando interroga-se não sobre a dor, não sobre os acasos das conchas que se fecham, não sobre a interrupção de gesto tão doce quanto o de beijar, moluscos que sejamos, mas sobre o destino dos lábios de Ilser, naquele dia, algures na vida, hoje na maré vazia dos sonhos.
Mando

6 Comments:

Blogger Sara said...

Meu Deus!

sábado, dezembro 01, 2007 7:20:00 da tarde  
Blogger Joana said...

Que coisa extraordinária! Eu acho que este amor existe mesmo. Mas eu queria saber onde está Ilser...

sábado, dezembro 01, 2007 7:32:00 da tarde  
Blogger Carlos Serra said...

Segredo de polichinelo?

sábado, dezembro 01, 2007 9:32:00 da tarde  
Blogger isabel victor said...

"nadando líquida e primordial ..."

Ilser é mar. Capricho de sal. Onda


:))

iv

sábado, dezembro 01, 2007 9:38:00 da tarde  
Blogger Carlos Serra said...

Ática imagem, Isabel.

sábado, dezembro 01, 2007 10:00:00 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

alguém escreveu noutro sítio que ilser afogou-se. Afogou-se como?
Celso Matsinhe

domingo, dezembro 02, 2007 12:00:00 da manhã  

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