domingo, setembro 09, 2007

Minha quida Il

Tete, 07 de Setembro de 2007

Após esta longa ausência na nossa correspondência por carta, aqui me tens de novo.
Sim, claro, usámos o celular, mas nada, repito, nenhuma outra correspondência substitui as cartas.
Sabes que já várias vezes, por palavra físicas, por palavras no papel, te falei disso.
Uma carta, Il, é como uma vida. Densa, táctil, cinestésica. É uma vida que preenchemos com letras, com palavras, com parágrafos. Em cada uma das nossas letras viajam sempre dois passageiros: a diástole do que queremos ser, a sístole do que somos ou do que julgamos ser.
Nada substitui uma carta. E muito menos algo pode substituir uma carta de amor. Em cada carta de amor habita o desafio do novo, o halo da novidade, o êmbolo tenso e belo da subversão. Por isso uma carta de amor é sempre uma revolução, uma revolução que subverte os pilares do sempre igual, os tentáculos viscosos da rotina, o emaranhado da pátina.
Estou feliz, sabes, por estares completamente refeita do mal que te apoquentou.
Amoremos de novo, quida Il.
Teu.
Mando
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P.S. Ainda não me disseste quando nos reencontramos.

2 Comments:

Anonymous Gabriela said...

Rio de Janeiro 09 de Setembro 2007

Caro Mando,

"Silencía a alma a primavera azul.
Sob o úmido ramo noturno
Mergulham a fonte em tremor os amantes" (Às Escuras)-(M.Heidegger)

De verdades tantas minha alma agora em pleno, lê tuas palavras em completa suavidade e ternura e saudade neste acontecer inesperado. Se por um lado a ausência da tinta sobre um papel amarelado, falta nos fez;percebo que não foi de todo mal, a necessidade em lançarmos nossos olhares para outras realidades, nos fizera mais consistentes e seguros do que realmente queremos e desejamos para nossas vidas.
Meus braços te recebem com calor, meus lábios pronunciam teu nome com a mesma ou maior docilidade do sempre que em ti habitei.Dizer que nada mudou, não seria de certo tal atitude; Muita coisa mudou , mas em se tratando do meu sentimento de amor confesso-te Mando, és a iluminação e as inquietações que preciso; nova jornada, novo amanhecer...recomeçemos, amoremos neste infinito presente...que a vida novamente nos concede.
Com amor
Tua.
Ilser

segunda-feira, setembro 10, 2007 7:37:00 da manhã  
Blogger Joana said...

Que coisa maravilhosa são estas cartas!

quarta-feira, setembro 12, 2007 6:19:00 da tarde  

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