domingo, setembro 09, 2007

Minha quida Il

Tete, 07 de Setembro de 2007

Após esta longa ausência na nossa correspondência por carta, aqui me tens de novo.
Sim, claro, usámos o celular, mas nada, repito, nenhuma outra correspondência substitui as cartas.
Sabes que já várias vezes, por palavra físicas, por palavras no papel, te falei disso.
Uma carta, Il, é como uma vida. Densa, táctil, cinestésica. É uma vida que preenchemos com letras, com palavras, com parágrafos. Em cada uma das nossas letras viajam sempre dois passageiros: a diástole do que queremos ser, a sístole do que somos ou do que julgamos ser.
Nada substitui uma carta. E muito menos algo pode substituir uma carta de amor. Em cada carta de amor habita o desafio do novo, o halo da novidade, o êmbolo tenso e belo da subversão. Por isso uma carta de amor é sempre uma revolução, uma revolução que subverte os pilares do sempre igual, os tentáculos viscosos da rotina, o emaranhado da pátina.
Estou feliz, sabes, por estares completamente refeita do mal que te apoquentou.
Amoremos de novo, quida Il.
Teu.
Mando
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P.S. Ainda não me disseste quando nos reencontramos.