sexta-feira, agosto 03, 2007

Meu Mando, Meu Mundo

Quelimane, 01 de Agosto de 2007

Meu Mando, Meu Mundo

Sabes, agora que regresso à vida, lentamente - e como me fizeram bem os teus telefonemas -, combalida ainda, tenho dentro de mim, forte como uma rocha imensa, o poema que me enviaste.
Nos piores momentos da doença, nos instantes em que mais sofri, naquela sensação rápida e pungente de que a vida me abandonaria, foi ele, foi esse poema que me amarrou à vida, foi ele que me deu a fé que me fugia, foi ele que me fez renascer, foi ele e é ele que me faz agora poder escrever-te.
E escrever-te, Mando, é como ter uma fala mais profunda, como ter a certeza de que as palavras ficam para sempre na tua alma como monumentos, como certezas com forma física.
Sinto-me, por isso, profundamente feliz.
Sim, para agarrar no espírito do teu poema, chegará uma vez mais a hora, aquela que terminada exige recomeço, aquela cujo fim sempre foi e será o início, aquela que é o eterno gérmen das coisas boas.
Ser-te-ei uma vez mais a savana, sê-me tu o embondeiro.
Deixa-me ficar boa depressa, meu Mando.
Até breve.
Tua.
Ilser