sábado, junho 30, 2007

Minha doce Il

Tete, 29 de Junho de 2007

Minha doce Il

Aqui me tens de novo, fisicamente nesta Tete, abraçado ao Zambeze, após a viagem da qual te fui dando conta pelo celular.
Sabes, Il, podemos estar horas a conversar, a procurar-nos pelo celular - essa caixinha mágica que nos aproxima instantaneamente estejamos onde estivermos - , mas falta-me sempre o sabor quente, físico, táctil, definitivo, das cartas.
Destas cartas pelas quais e com as quais, sempre, nos rejuntamos, nos reabraçamos, nos temos encastoando em cada palavra a tensão viva do nosso futuro no preciso momento em que o presente nos chama.
Doeu-me e dói-me esta longa ausência, é como se, não estando, estivesse de ti amputado, como se tomasse consciência aguda de que falta em mim uma parte vital, uma parte sem a qual é impossível viver.
E essa parte, Il, és tu.
Agora e sempre.
Deixa-me organizar um pouco aqui a vida, pondo alguma ordem nos que deixei pendente e que não fiz, após o que te escreverei com mais vagar.
Por favor, deixa-me habitar-te, deixa-me ser-te.
Teu.

Mando

P.S. Não te esqueças de que combinámos reecontrar-nos. Por favor diz-me quando estás disponível. Podemos encontrar-nos em Maputo. O que achas?