sexta-feira, maio 18, 2007

Minha Il

Tete, 17 de Maio de 2007

Minha Il

Perdoa-me só hoje te escrever. Uma vez mais, os afazeres profissionais levaram-me para bem longe da cidade, lá onde tudo me recordou e me recorda a tua ausência.
Aqui chegado, reli a tua última carta.
Pedes-me que te alije do passado para sermos integralmente filhos do futuro.
Não, absolutamente não. É justamente esse passado, é justamente este presente, é justamente esta dupla angústia que alimenta e robustece o futuro. Este só tem sentido quando nele age o aguilhão do que nos atemoriza.
Por isso somos os jovens amantes de um futuro que construímos nadando na água eriçada de passado e presente.
A nossa juventude alimenta-se de duas coisas: da penumbra secreta na qual amamos e do lastro sempre vivo dos perigos que nos espreitam.
Ambas as coisas dão ao nosso amor o sinete da juventude e da novidade, do risco e da apetência renovada.
O teu precipício, Il, é, afinal, a nossa razão de ser. É a espantosa sensação de vertigem e de queda eminente que tatuam na nossa relação a beleza do sempre incriado, do sempre novo, do sempre procurado, do sempre inacabado.
O nosso destimo, minha doce Il, é justamente esse. E ainda bem. Por isso seremos eternamente jovens porque eternamente renovadores. E renovados.
Somos as fénixes das albas sem fim.
Cada porta do futuro precisa de ser aberta com as mãos da inquietação. Da nossa doce inquietação.
Escuta: preparo a minha ida aí. Breve te darei pormenores.
Habita-me, Il.
Sempre teu.

Mando

2 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Sábado,19 de maio de 2007
Escola Arco-Verde.

Adorado Mando,

Nada tenho para perdoar voce, por motivo desta carta só agora me chegar.Tenho pensado em voce repetidas vezes durante todo o meu dia;dias de eterna espera, dias de solidão, pois quando o ar se torna silencioso, não medito a respeito do que está acontecendo.Só sei que grandes coisas estão em jogo, e espero.
O futuro de todas as coisas é como o projeto de um edifício: a parte construída até agora é o passado -o presente são os tijolos que estão sendo assentados.Será dos tijolos que gostamos acima de tudo quando afirmamos gostar de um edifício? A vida é uma construção jamais concluída.E, que bom seja assim, desta forma meu Mando,poderemos a cada dia reconstruir o novo, para que nenhum passado nos prenda ou atormente a alma.
Encontro voce, na maior parte das coisas de mim,e acredito que todos os sonhos se encontrem também nesta estrutura de vida, que me norteia e me direciona no sempre que vem de te.
Tantas vezes já fiz leitura desta tua carta meu Mando, abençoadas palavras contidas pelo espírito divino das entrelinhas...;que Deus me faça merecedora de tudo isto.Quando a mão da vida é pesada, e a noite, sem canções,é tempo de amor e confiança.E como se torna leve a mão da vida, e a noite, plena de canções, quando se ama e se confia.Bem sabes que me encontro com a mão da vida pesando em meu peito,(independente do nosso querer), mas agora sei e aprendi que, presas a tudo que é pesado, existem asas; e sei também que é a sede maior que torna as asas imóveis,por isso tenho calma e sei usar desta calmaria para que minhas asas fiquem móveis,para em liberdade poder estar em voce no dia que assim me fizer saber tua vinda.
As estrelas são vencidas pela aproximação do sol.E eu sempre me encontro no horizonte na direção do seu sol.
Nosso encontro é desejado e almejado, este é o valor único, e a glória destes meus tempos confusos.
Com amor,
Ilser
8/13

domingo, maio 20, 2007 2:43:00 da manhã  
Blogger Diva said...

Meu queridos,
Andei perdida...entre mim e o mundo ou vice-versa. Pouco importa. So hoje vim dar uma olhada na vossa correspondencia. Vejo que a vossa caminhada continua, o rumo e o mesmo, o amor! Que ele trace o vosso reencontro para breve.Bjs meus

domingo, junho 03, 2007 7:16:00 da tarde  

Enviar um comentário

<< Home