sábado, maio 05, 2007

Meu Mando, Meu Mundo

Quelimane, 4 de Maio de 2007

Meu Mando, Meu Mundo

Os dias passaram. Os dias passam. Naturalmente que os dias passarão.
E enquanto o tempo passa, eu folheio as recordações, fiz isso especialmente em todos estes dias em que não pude estar contigo por razões que conheces bem.
Infelizmente fui demasiado vigiada durante este tempo e por isso preferi esperar uma aberta para voltar ao teu contacto.
Aqui me tens de novo.
Continuo a reler a tua última carta, continuo a pensar nesta nossa relação tão pungente, tão nossa, tão definitiva, tão necessária para ambos, neste trato diário com a alegria e com a dor, com a esperança e com a angústia, com o amanhã e com o ontem.
Somos, Mando, como dois seres dentro de uma cabana suspensa num precipício: não podemos nem avançar nem recuar. Somos a vertigem suspensa mas sempre viva entre um futuro que ignoramos e um passado que não queremos.
Mas deixemos isso agora.
Olha, recomecei a estudar. Ainda não te tinha falado disso. Como sabes, houve tempo em que quis fazer medicina. Agora estou em direito.
Para seguir a tradição do meu pai, fui para medicina. Depois cansei-me. Agora tento direito. Quero, afinal, ter o direito de pensar por mim.
Mas o meu problema, Mando, é que os meus desejos são muitas vezes contrariados pelo desespero da insegurança. Quando julgo avançar tenho como que uma corda a puxar por mim e a suster-me na inércia.
Sou um vírgula tensa, frágil.
Ajuda-me a manter o futuro, alija-me do passado, meu Mundo!
Escreve-me e diz-me quando nos reencontraremos.
Sou-te, quero-te.
Tua.
Il

4 Comments:

Blogger Diva said...

Meus queridos,
Gostaria de saber escrever cartas de amor assim, como vocês mas, para que precisaria eu de escrever cartas de amor? Pior...para quem as escreveria? No sou-te ou quero-te o velho hábito de nunca encontrar as palavras certas. Para escrever cartas de amor assim eu teria de encontrar pureza impossivel no agora do momento em que apenas assim sei viver. Felicidades.
Bjs meus

P.S. Ah... se eu tivesse de escrever uma carta de amor, ela seria assim.

quarta-feira, maio 09, 2007 11:28:00 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Amor Mando,
Neste agora só posso mesmo te enviar este telegrama,prometo querido amor, que, no meu anoitecer de hoje tua resposta, (carta),irás ter.Lutarei com feras e bestas, mas tua carta, irei logo escrever.Adoro-te meu carinho.
Te amando no sempre,

Ilser
8/13

segunda-feira, maio 14, 2007 8:46:00 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Que belas cartas vocês sabem escrever! Mas dizei-me, será que sabem amar assim como sabem escrever? Mando-vos a minha ninharia também:
DAS PALAVRAS QUE NÃO PROVOCAM IMAGEM

Começo por dizer que todos os sentimentos que vem de dentro não se fundem num todo, mas em facetas. Serei a boca que convém a seus ouvidos? De facto, é assaz difícil ser-se compreendido quando se tem sete solidões. Pergunto baixinho somente a ti minha predilecta: és a mulher que merece ter o homem que tens? – Oh! Como não pôde te conhecer quando tinha que te conhecer! Quando um homem a uma mulher quer, deve começar a correr – diz assim a justiça.
Tarde? Não, não, três vezes não! Ainda há tempo para haver tempo enquanto o tempo for tempo. Heim! Vai com calma Lepidóptero, não compliques a nossa predilecta cachopa – fala-me assim a minha sombra…
A minha fome tem estranhos caprichos. Muitas vezes só me aparece depois de comer, e ontem em todo o dia não me apareceu. Onde estaria ela escondida? Dê-me de comer cachopa. “Dê pão quem tem fome” – clama assim a bíblia sagrada…
Oh! Mulher bela do jardim desértico. Como poderei eu estar atento aos meus estudos se ao menos nem consigo parar de pensar em ti? Aceitarás dar-me as quatro letras raras para juntos habitar-mos aonde ninguém habita? Quererás subir ao mais alto cume do meu coração? – Basta que saibas amar-me como se deve amar-me ou odiar-me como se não deve odiar-me. Ah! Como os homens são crianças do que as próprias crianças…!
Oh! Existirá mulher que possa suportar o coração cansado deste sarapintado Lepidóptero? Talvez sim, talvez não! – Ainda não existiu, nem existirá senão aquela que trepa agora nas suas maculaturas palavras que não provocam imagem.
Pouso levemente os meus lábios nos seus.
Miller A.Matine

segunda-feira, setembro 03, 2007 11:49:00 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

ai! como e o que fazer para que a minha carta tenha o mesmo gosto da vossa!

DAS PALAVRAS QUE NÃO PROVOCAM IMAGEM

Começo por dizer que todos os sentimentos que vem de dentro não se fundem num todo, mas em facetas. Serei a boca que convém a seus ouvidos? De facto, é assaz difícil ser-se compreendido quando se tem sete solidões. Pergunto baixinho somente a ti minha predilecta: és a mulher que merece ter o homem que tens? – Oh! Como não pôde te conhecer quando tinha que te conhecer! Quando um homem a uma mulher quer, deve começar a correr – diz assim a justiça.
Tarde? Não, não, três vezes não! Ainda há tempo para haver tempo enquanto o tempo for tempo. Heim! Vai com calma Lepidóptero, não compliques a nossa predilecta cachopa – fala-me assim a minha sombra…
A minha fome tem estranhos caprichos. Muitas vezes só me aparece depois de comer, e ontem em todo o dia não me apareceu. Onde estaria ela escondida? Dê-me de comer cachopa. “Dê pão quem tem fome” – clama assim a bíblia sagrada…
Oh! Mulher bela do jardim desértico. Como poderei eu estar atento aos meus estudos se ao menos nem consigo parar de pensar em ti? Aceitarás dar-me as quatro letras raras para juntos habitar-mos aonde ninguém habita? Quererás subir ao mais alto cume do meu coração? – Basta que saibas amar-me como se deve amar-me ou odiar-me como se não deve odiar-me. Ah! Como os homens são crianças do que as próprias crianças…!
Oh! Existirá mulher que possa suportar o coração cansado deste sarapintado Lepidóptero? Talvez sim, talvez não! – Ainda não existiu, nem existirá senão aquela que trepa agora nas suas maculaturas palavras que não provocam imagem.
Pouso levemente os meus lábios nos seus.

Miller Matine

segunda-feira, setembro 03, 2007 11:52:00 da manhã  

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