domingo, dezembro 31, 2006

Festas Felizes!

Para vós que nos têm lido, recebam o nosso carinho e os nossos votos de Festas Felizes. Ah...não digam a ninguém que nos amamos e almamos, tá?
Ilser
Armando

quinta-feira, dezembro 28, 2006

Meu Mando, meu Mundo, vem buscar-me...

Quelimane, 27 de Dezembro de 2006

Meu Mando, Meu Mundo

Recebi a tua cartinha, guardo-a na alma.
Mais uma ano em cuja margem temos pés e sonhos. Mais um ano sem ti, nele vou entrar sem ti, estarei aqui neste ano como em todos os outros, como se uma corda me tivesse amarrado para sempre à impossibilidade, como se os sonhos belos estivessem numa gaiola por obra de um deus mau.
Aqui estarei nas festas, festas que me imporão, festas nas quais as convenções sociais me ditarão que ria, que cumprimente, que exiba uma alegria que não sinto nem sentirei, uma passagem que não farei, um barco que não percorrerei, uma porta que continuará fechada.
Por que é a vida tão cruel, meu querido Mundo? Por que razão o destino tem de ser o que é? Por que razão não o podemos reescrever?
E assim aqui estou sem estar estando-te sem poder estar nem deixar de estar.
Ó meu Mando, meu querido Mundo, vem buscar-me, vem, vem, por favor...
Tua até à morte.

Il

sábado, dezembro 23, 2006

Minha Il

Tete, 21 de Dezembro de 2006

Minha doce Il

Obrigado pela tua carta, que foi e que é sempre um lenitivo para esta separação tão cruel.
O ano aproxima-me rapidamente do fim e creio que não poderemos estar juntos até ao próximo. Vou enviar-te, talvez amanhã, algumas prendas para ti e para a Néli.
Ouve: aqui estou sem estar, custa-me cada vez mais estar sem te estar, acho que o destino tem sido muito cruel para nós.
De dia o trabalho ajuda-me a passar o tempo. Mas noite chegada, a dor começa. E imagino-te em casa, esposa de quem não sou eu. Como dói, minha Il, como dói.
Permite-me ficar por aqui hoje, triste, irremediavelmente triste.
Teu.
Almo-te.

Armando

segunda-feira, dezembro 18, 2006

Meu querido Mando

Quelimane, 17 de Dezembro de 2006

Meu querido Mando

Obrigado pela tua carta.
Li-a bem, senti-a bem, sabes, vivo agora num frenesim terrível, mas doce, muito doce, é como se estivesses nas minhas veias, como se fosses uma âncora inamovível, sinto-te intensamente só de pensar em ir aí.
Sim, vou pensar nisso, sabes bem que não é nada fácil, mas mas vou mesmo pensar. Seriamente pensar. E seriamente...ir.
Perdoa-me não ter dinheiro, está bem?
Sabes, ontem fui a uma jantar, daqueles jantares que há aqui, nos quais sempre encontramos as mesmas pessoas, dizemos as mesmas coisas, etc. Mas, sabes, estive completamente ausente, falavam comigo, mas eu não estava lá, eu estava aí, eu estava no teu corpo, no teu bafo, na tua pele, eu estava dentro de ti, eu estava em tudo o que és e me fazes sentir.
Perguntaram vezes sem conta: Que tens tu, Ilser?
E eu, bem para dentro de mim, respondia: Sou dele, eu mando!
Meu Mando doce! Em toda esta tristeza, tu és o meu bálsamo, deixa-me dizer-te assim, de forma docemente provocadora: o meu pacemaker!
Mando-te bem mais do que ontem e bem menos do que amanhã.
Eternamente tua.

Ilser

sábado, dezembro 16, 2006

Almo-te, doce Il

Tete, 15 de Dezembro de 2006


Minha doce Il

Obrigado pela tua carta. Ela está ancorada na minha alma, neste cais que te sou em permanência.
Tal como tu, estou grudado aos momentos que vivemos, tenho o teu corpo ainda nos meus sentidos, o teu cheiro, os teus seios, tudo de ti e em ti, sinto-te fortemente, tactilmente como se nada tivesse ainda terminado, como se tudo fosse apenas a entrada na vertigem ou como se, entrados ambos na vertigem, ela apenas fosse a eternidade.
Sabes, reentrei na rotina deste chato emprego que tenho, mas a tua memória mantém-me agarrado ao sonho.
Custa ser rotina, custa ser hábito, custa levar avante o que não queremos.
Diz-me uma coisa: existe alguma possibilidade de aqui vires? Pago-te a passagem e ficas alojada na minha herdade a cerca de 20 quilómetros da cidade. Bem sei que é difícil, que é especialmente perigoso, mas não me posso coibir de te perguntar o que perguntei.
Na expectativa da tua resposta, fico-te, ansioso e teu.
Almo-te, minha doce Il.
Teu.

Mando

terça-feira, dezembro 12, 2006

Meu Mando, Meu Mundo

Quelimane, 11 de Dezembro de 2006


Meu Mando, meu Mundo

Chegaste, mas a tua chegada foi para mim a tua partida.
Quanto custa tudo isto, quanto fere, quanto dói, quanto é doloroso suportar!
Cada dia é para mim a memória do nosso amor, o cheiro do teu corpo, o gosto ao mesmo tempo suave e forte das nossas carícias, aquela coisa tão bela de estarmos abraçados nas madugadas que ainda são poucas.
Ó meu Mando, meu Mundo, como anseio fazer de cada momento o momento em que não mais partirás, aquela paragem definitiva que será sempre a partida imparável do nosso amplexo, do nosso ir dentro da alma de cada um!
Como anseio que rechegues sempre que repartes!
Como dói!
Vem, toma-me inteira e tua neste sabor de pecado que somos!
Tua.

Ilser

quinta-feira, dezembro 07, 2006

Minha doce Il

Tete, 5 de Dezembro de 2006

Minha doce Il

Aqui me tens, regressado de uma penosa visita ao Moatize, em serviço.
Tenho uma notícia para ti: amanhã parto para aí, minha Il.
Prometes-me que vamos juntos amar Zalala?
Aguarda por mim, deixa-me habitar-te, meu gomo doce.
Teu.

Mando

domingo, dezembro 03, 2006

Meu querido Mando

Quelimane, 01 de Novembro de 2006

Meu querido Mando

Espero que estejas bem.
Faz dias que não te escrevo, não é? Desculpa-me! Sinto, sabes, um profundo desfatio por tudo, uma solidão que cresce em mim, algo como que uma porta fechada que, cada vez mais, não consigo abrir.
Tenho a certeza, meu Mando, de que o destino foi feito para tolher os nossos passos, os teus e os meus.
Chego a casa e encontro tudo sempre igual, acho que as coisas e os hábitos nunca um milímetro sequer se moveram dos seus locais, dos seus nichos. Todos os dias a mesma coisa.
E, depois, esta terra sempre parada, onde a única coisa que acontece, meu amor, é nada acontecer.
Acho, até, que nem as palmeiras sabem o que é a novidade, elas que, porém, todos os dias espreitam o céu e amam os astros, elas que sabem do longe e das coisas ansiadas.
Melhor mesmo parar por aqui hoje.
Meu mando, vem buscar-me! Vem!
Sempre tua.
Il