segunda-feira, novembro 13, 2006

Para o meu Mando

Quelimane, 12 de Novembro de 2006

Meu querido Mando

Cheguei bem, apenas um bocado cansada da viagem, leva muito tempo, sabes como é. E depois aqui está muito quente, como sempre.
Deixei Maputo e já sinto saudade do espaços com movimento, sinto saudade das coisas largas. Acho que sinto até saudade de perder essa saudade. Sabes, a saudade é um amor que fica preso a uma coisa boa que vivemos, uma espécie de alfinete irremediável que fica cravado no coração.
Mas o pior foi desta vez não te ver. Doeu-me, dói-me muito isso, este vazio, esta sensação terrível da ausência de encontro. Machuca-me esta distância, este vazio, este vácuo. Estive seis dias em Maputo com uma necessidade terrível de ir ter contigo, aí. Mas não foi possível. Que tristeza tão horrível, meu querido!
Aqui me tenho e me tens de novo nesta terra que parece esquecida de Deus. Aqui a solidão é tanta que até é colectiva, parece que habito numa cidade de solidões, embora pareça que não.
Meu Mando, perdoa-me não te escrever mais hoje, o farei proximamente, está bem? Sinto-me não só cansada como, também, estou cheia de dores de cabeça.
Escreve-me, por favor.
Sempre tua.
Ilser