Quinta-feira, Setembro 24, 2009
Logo que puder, em breve, darei aqui a conhecer uma nova história com as respectivas cartas de amor.
Segunda-feira, Setembro 07, 2009
Fui de vez
Tete, 5 de Setembro de 2009
Il
Olá, perdoa este longo interregno, tenho tido muitas coisas a fazer.
Absolutamente compreendo a tua dialéctica, nem Heráclito faria melhor dialecticamente falando.
Acho que ela confortará sempre o teu autismo.
No que me concerne, o pragmatismo (palavra que já usaste, lembras-te?) é mais forte e definitivo.
Segue teu destino, eu seguirei o meu.
Que os deuses dos horizontes protejam a tua vida.
Fui de vez, rigorosamente de vez.
Mando
Quarta-feira, Agosto 05, 2009
fala a minha alma
Quelimane, 2 de Agosto de 2009
Mando
Eu, que sempre fui pêndulo, tu bem o sabes, oscilo entre dois sentimentos agora. Por um lado, a compreensão do que sentes, dos teus receios, da tua auto-preservação e até da raiva que porventura sentes de mim, querendo assim deixar-te quieto, distante, salvaguardado das minhas alterações de humor e de propósito, da minha confusão, afinal. Por outro lado, o inconformismo com isso que parece ser o medo em ti, que é exatamente do que eu fujo em mim ao procurar-te novamente. Desse mesmo lado, a falta que me fazes, nada autista, aliás, por tratar-se da tua ausência em mim e não de uma ausência. Fosse assim, outro já a teria preenchido. E não existe outro, pois há apenas um sol. Não busco, não penso em nem desejo outro, porque não há outro Mando. Desse lado, o vazio que nada parece preencher, antes só ocupado por nós. O horizonte sumiu.
Não, não tenho nada resolvido em mim, é verdade. O impasse é o mesmo e imagino o quão frustrante isso deve ser para ti. Mas quem seria a te escrever se te trouxesse os sentimentos bem marcados e delineados, sem borrões ou turvação? Não seria eu, meu amor. E isso também o sabes. Quem conheceste há 4 anos? Foste tu quem te fascinaste com o meu percurso errante, não te lembras? E eu amei a tua paixão revestida de rudeza, o teu olhar sempre voltado ao horizonte, que me abriu um mundo inteiro que eu não conhecia, que eu não enxergava. Tu, que me trouxeste a vertigem, eras quem eu esperava, quem eu amava antes mesmo de conhecer, eras o que me faltava, daí não haver como eu não ser autista ao te amar, pois sendo metade apartada de mim, te amar é amar a mim mesma. Não desisti, meu Mando. Seja lá o que decidires, continuarei aqui, fala a minha alma.
Tua sempre
Não, não tenho nada resolvido em mim, é verdade. O impasse é o mesmo e imagino o quão frustrante isso deve ser para ti. Mas quem seria a te escrever se te trouxesse os sentimentos bem marcados e delineados, sem borrões ou turvação? Não seria eu, meu amor. E isso também o sabes. Quem conheceste há 4 anos? Foste tu quem te fascinaste com o meu percurso errante, não te lembras? E eu amei a tua paixão revestida de rudeza, o teu olhar sempre voltado ao horizonte, que me abriu um mundo inteiro que eu não conhecia, que eu não enxergava. Tu, que me trouxeste a vertigem, eras quem eu esperava, quem eu amava antes mesmo de conhecer, eras o que me faltava, daí não haver como eu não ser autista ao te amar, pois sendo metade apartada de mim, te amar é amar a mim mesma. Não desisti, meu Mando. Seja lá o que decidires, continuarei aqui, fala a minha alma.
Tua sempre
Ilser
Nota de Carlos Serra a 5/8/09: permitam-me reiterar que Mando e Ilser existem realmente.
Domingo, Agosto 02, 2009
futuro incriado
Tete, 23 de Julho de 2009
Olá.
Bem, ao fim de todo este tempo decidiste vir à tona do teu autismo e, ao olhares o que te rodeava, espantaste-te e disseste para ti (é sempre para ti e em ti que evolues na vida): Deus, afinal ele existe, ele é ele, o Mando!
Esse, afinal, o teu real problema.
Melhor, bem melhor: dois problemas.
O primeiro consistiu e consiste em invocares a moral tradicional para asfixiares aquilo que foi a pureza sempre renovada da nossa relação, pureza que, afinal, tinha apenas um lado a nutri-la: eu. Deves admitir isto.
O segundo problema consistiu e consiste no teu autismo imenso, no apenas viver unicamente para ti que és. O resto, eu, tudo, é apenas algo em que poisas temporiamente os olhos distraídos, muito temporariamente. Nem são os olhos: são apenas a sua possibilidade, após o que te readquires, sem de ti teres saído.
Sofres? De que sofres? Sofres de sofrer, de sofrer por prazer no teu baú autista? E a ti pópria de consolas, não é? E pensas que apenas tu sofres, não é? Que descaro, Ilser!
Eis-me, então, na penumbra de um futuro incriado.
E tatenda pela pequena atenção que me dedicaste.
Mando
Quinta-feira, Julho 23, 2009
Quarta-feira, Julho 22, 2009
Retatuame
Tal como antes prometi, eis o email que Ilser mandou para Mando por meu intermédio. Vamos a ver o que vai passar-se a seguir:
Quelimane, 18 de Julho de 2009
Mando
Sabes, sei que esta carta te irá chocar, chocar muito.
Faz muito tempo já que a nossa relação terminou, não, afinal, por tua culpa, mas por culpa minha.
Ao longo de todo este tempo, fui andando na vida da forma que as folhas que tombam das árvores andam: hesitantes primeiro em sua queda voajante, definitivas e estrebuchantes depois em seus parados lugares sem vida.
E aqui me tens a tentar o recontacto, nesta cidade onde a única coisa que acontece é nada acontecer.
Mando: redeixa-me habitar-te.
Sabes, nunca te deixei. Retatuame. Sem travessão. Peçote. Também sem travessão.
Perdoa-me. Sofro, sofro muito.
Tua.
Ilser
Uma coisa terminada, outra a recomeçar
-Jussane vc está aí?
-Sim, estou.
-Sabe estou pensando que nossa relação não está dando. Melhor terminar, tá?
-Tá, tatá Mussalinha!
-Ciao.
-Reciao!
Adenda 1: assim reproduzo o diálogo - seco, mas real e necessário - final entre Mussalinha e Mussane, encetado em Dezembro do ano passado via skype. Soube que Mussalinha bloqueou Jussane e se foi para sempre. Mas saibam uma coisa: recebi um email de Ilser. Lembram-se dela? Acreditam que ela quer retomar o diálogo com Mando (recordem aqui)? Já fiz um forward para ele. Dentro de algum tempo, divulgo aqui a carta dela. Como bem reparam, a história é, afinal, uma destino à Heráclito: uma coisa pode terminar e outra começar ou recomeçar.
Adenda 2: recebi um email da Penélope (São Paulo), dando-me conta de que também escreve cartas de amor. Pois bem, confiram o seu portal, aqui.
Sexta-feira, Julho 10, 2009








