sábado, fevereiro 06, 2010

chuvada

15 Janeiro 2010
Gaza
Meu José
Muita alegria entrou no meu coração com sua cartinha, sabe? Foi faz conta tu não ter chuva, estar tudo seco e repententemente chove que até parece vai cabar toda chuva do céu. Foi assim mesmo que senti, chuvada dentro da alma.
Olha, meu José, a vida aqui está um pouquinho complicada. Mamã precisa roupa, papá diz suas calças estão velhas. Mas pior Tia Albertina que todo o dia está dizer casamento nunca mais bate na porta e que é preciso você começar a preparar lobolo, você sabe como estas coisas são complicadas, depois Tio Chipanga está falar seu celular precisa ser trocado com outro novo. E tem mais que tu esqueceu meus brincos.
Minhas aulas vão indo bem, só tenho que estudar mais Matemática, tenho certeza que este ano vai ser o máximo, acreditas?
A amiga Luciana está doente, não come, está de cama com muita febre, parece malária, amanhã vamos passar do hospital e também no n'anga Machico, talvez pode ser problema do espírito do avô, precisamos cuidar mais dele.
Hoje aproveitei bem o computador do serviço como você está a ver, a colega da contabilidade saiu para comprar bananas no mercado logo eu aproveitei.
Vou ficar aqui hoje meu José.
Mabeijo grandes da sua Helena que nunca lhe esquece.
Helena Massave

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

favor emailar

Maputo
12/1/2010

Querida Helena sempre
Você aqui me tem lhe escrevendo de dentro da minha alma com você dentro do meu futuro.
Sabe, naquele dia que lhe vi logo soube eu apanhei que o meu destino estava na sua mão, como pássaro na gaiola.
As coisas na vida já estão traçadas e por isso nossa única solução é seguir a estrada apontada.
Você me disse que tu não gosta de escrever, que você prefere estar assim no frente de frente.
Sim, eu também gosto do frente de frente, mas a vida sempre arranja maneira de fazer as coisas no atrás do trás e por isso minha querida Helena estou pedir para escrever depressinha.
Palavra de papel ou de computador tem mesmo sabor que palavra real: basta temperar com amor.
Então favor emailar.
Sou sempre aqui seu.
José Macossa

quarta-feira, fevereiro 03, 2010

José e Helena

Se possível hoje mesmo, aqui começarei a publicar cartas de amor escritas por José Macossa e Helena Massave. A primeira é de João. Aguardem.

quinta-feira, setembro 24, 2009

Nova história

Logo que puder, em breve, darei aqui a conhecer uma nova história com as respectivas cartas de amor.

segunda-feira, setembro 07, 2009

Fui de vez

Tete, 5 de Setembro de 2009

Il
Olá, perdoa este longo interregno, tenho tido muitas coisas a fazer.
Absolutamente compreendo a tua dialéctica, nem Heráclito faria melhor dialecticamente falando.
Acho que ela confortará sempre o teu autismo.
No que me concerne, o pragmatismo (palavra que já usaste, lembras-te?) é mais forte e definitivo.
Segue teu destino, eu seguirei o meu.
Que os deuses dos horizontes protejam a tua vida.
Fui de vez, rigorosamente de vez.
Mando

quarta-feira, agosto 05, 2009

fala a minha alma

Quelimane, 2 de Agosto de 2009
Mando
Eu, que sempre fui pêndulo, tu bem o sabes, oscilo entre dois sentimentos agora. Por um lado, a compreensão do que sentes, dos teus receios, da tua auto-preservação e até da raiva que porventura sentes de mim, querendo assim deixar-te quieto, distante, salvaguardado das minhas alterações de humor e de propósito, da minha confusão, afinal. Por outro lado, o inconformismo com isso que parece ser o medo em ti, que é exatamente do que eu fujo em mim ao procurar-te novamente. Desse mesmo lado, a falta que me fazes, nada autista, aliás, por tratar-se da tua ausência em mim e não de uma ausência. Fosse assim, outro já a teria preenchido. E não existe outro, pois há apenas um sol. Não busco, não penso em nem desejo outro, porque não há outro Mando. Desse lado, o vazio que nada parece preencher, antes só ocupado por nós. O horizonte sumiu.
Não, não tenho nada resolvido em mim, é verdade. O impasse é o mesmo e imagino o quão frustrante isso deve ser para ti. Mas quem seria a te escrever se te trouxesse os sentimentos bem marcados e delineados, sem borrões ou turvação? Não seria eu, meu amor. E isso também o sabes. Quem conheceste há 4 anos? Foste tu quem te fascinaste com o meu percurso errante, não te lembras? E eu amei a tua paixão revestida de rudeza, o teu olhar sempre voltado ao horizonte, que me abriu um mundo inteiro que eu não conhecia, que eu não enxergava. Tu, que me trouxeste a vertigem, eras quem eu esperava, quem eu amava antes mesmo de conhecer, eras o que me faltava, daí não haver como eu não ser autista ao te amar, pois sendo metade apartada de mim, te amar é amar a mim mesma. Não desisti, meu Mando. Seja lá o que decidires, continuarei aqui, fala a minha alma.

Tua sempre
Ilser
Nota de Carlos Serra a 5/8/09: permitam-me reiterar que Mando e Ilser existem realmente.

domingo, agosto 02, 2009

futuro incriado

Tete, 23 de Julho de 2009

Olá.
Bem, ao fim de todo este tempo decidiste vir à tona do teu autismo e, ao olhares o que te rodeava, espantaste-te e disseste para ti (é sempre para ti e em ti que evolues na vida): Deus, afinal ele existe, ele é ele, o Mando!
Esse, afinal, o teu real problema.
Melhor, bem melhor: dois problemas.
O primeiro consistiu e consiste em invocares a moral tradicional para asfixiares aquilo que foi a pureza sempre renovada da nossa relação, pureza que, afinal, tinha apenas um lado a nutri-la: eu. Deves admitir isto.
O segundo problema consistiu e consiste no teu autismo imenso, no apenas viver unicamente para ti que és. O resto, eu, tudo, é apenas algo em que poisas temporiamente os olhos distraídos, muito temporariamente. Nem são os olhos: são apenas a sua possibilidade, após o que te readquires, sem de ti teres saído.
Sofres? De que sofres? Sofres de sofrer, de sofrer por prazer no teu baú autista? E a ti pópria de consolas, não é? E pensas que apenas tu sofres, não é? Que descaro, Ilser!
Eis-me, então, na penumbra de um futuro incriado.
E tatenda pela pequena atenção que me dedicaste.
Mando